segunda-feira

Malenga - Escultura



Quando era pequeno desprendia muitas horas ao lado da minha casa fazendo meus brinquedos de madeiras leves. Esta foi a primeira parte de aprendizagem em que, simultaneamente desenhava. Com 20 anos tomei decisão de ser escultor. Tendo iniciado ao lado do meu pai, portanto ele é o meu primeiro mestre. Dois anos depois mudei para Maputo para continuar com o trabalho, na cooperativa Arte Makonde. Em 2001 juntei-me num grupo de artistas nas instalações do Museu Nacional de Arte. Em 2006 obtive bolsa de estudo para estudar arte em Lisboa. No ano seguinte tive um estágio em escultura também na Faculdade das Belas Artes do Porto.

EXPOSIÇÕES:Colectivas: Várias em Moçambique e uma em Lisboa. Individuais: uma em Maputo em 2005, uma individual em 2007 no Porto e uma individual na Suécia em 2008.

Américo Hunguana "Bocarras" - Fotografia



Américo Jorje dos Santos Hunguana (Bocarras) nasceu em Maputo no dia 26 Outobro 1985. Fez o terceiro ano do curso de publicidade e marketing em Maputo.
Projectos e exposições em que participou:
2004 Exposição de cartaz pulicitário, Centro Franco-Moçambicano, Maputo
2004 Participação na Exposição colectiva da Foto Festa 2004, Maputo
2005 Primeiro premio de fotografia de Kodak , Maputo
2005 10 anos do Centro Cultural Franco-Moçambiano, Maputo
2005 Estagio de laboratorio no Estudio Foto Retina , Maputo
com fotografo Sr. Machado
2006 Projecto Audio-Visual para a impresa Dunavante Morumbala, Quelimane
2006 Projecto Audio-Visual para a CIC (União Europea), Quelimane
2006 Workshop de Arte-video, Maputo
2006 Estagio fotográfico em Cape Town , South Africa
2006 Workshop fotográfico no Centro Comunitario artistico de Catetura, Namibia
2007 Exposição individual : Cruzamento, Genebra, Suiça
2007 Exposiçao individual : Cruzamento 1, Bern, Suiça

GENITHO RASTA - UM MÙSICO DA TERRA

Compositor e músico moçambicano, Genitho Rasta recupera do tempo os velhos ritmos e os instrumentos tradicionais moçambicanos, misturando sons,melodias e culturas.

Texto > Manuela Sousa Guerreiro
Fotos >
Bruno Barata/Editando

Dedilhando a "mbira" (um instrumento moçambicano, assente numa pequena tábua meio tosca onde se fixam tiras de metal), Genitho Rasta vai, aos poucos, evocando as lendas, a guerra de libertação e a longa resistência moçambicana. O espectáculo continua e, desta vez, acompanhado do violino e do saxofone, Genitho experimenta o "bangwe" (uma espécie de guitarra que ressoa em cabaças).

A "mbira" e o "bangwe" são dois dois instrumentos tradicionais de Moçambique tocados pelo músico e compositor moçambicano Genitho Rasta. A estes junta-se ainda a "timbila" (um xilofone artesanal), que tem a particularidade de ser um instrumento de orquestra. O que explica a presença em palco do saxofone e do violino. "Não costumo romper com os costumes tradicionais. Embora, junte o que á de positivo na cultura moçambicana com o que há de positivo noutras culturas". A fusão de sons, melodias e culturas, algo que o artista confessa não ser premeditado, vai-se tornando realidade no pequeno palco do auditório da FNAC, em Lisboa, conquistando as várias dezenas de pessoas que ali se reúnem.

Genitho Rasta nasceu em Inhambane, mas tem raízes na província de Tete, de onde é originária a família, e em Maputo, onde cresceu. Talvez por isso os três instrumentos tradicionais moçambicanos eleitos pelo compositor sejam característicos de cada uma dessas regiões. "A "mbira" ou "sansi", é do centro do país. No norte, o "bangwe" é mais conhecido e as timbilas estão mais ligadas à região sul", explica Genitho Rasta em conversa com a Revista Moçambique. "Mas a raiz do meu trabalho está na música tradicional do país e não na música de uma ou doutra província. Daí ter privilegiado vários instrumentos que são característicos de vários pontos de Moçambique", sublinha.

Respeitando "o ritmo antigo", Genitho canta a história, a guerra de libertação e a luta de resistência. Os trabalhos de pesquisa levam-no a resgatar do imaginário moçambicano os velhos contos populares e infantis.

Reencontrando as raízes

Como em quase todos os países africanos, também em Moçambique a música está presente nas várias cenas do quotidiano e é um veículo privilegiado de expressão religiosa, espiritual e cultural. Mas contrariando a realidade de muitos desses países, a diversidade e a riqueza da música e dos instrumentos moçambicanos permanecem ainda por descobrir.

No país da "marrabenta" são poucos os músicos que se atrevem a ir buscar os ritmos antigos, tradicionais, talvez por falta de apoios e de meios ou talvez por que ainda existem certos preconceitos e complexos. "Há quem diga que a marrabenta representa a música moçambicana. Considero isso uma aberração. A marrabenta é sobretudo colonial, produto de uma assimilação cultural, onde os arranjos e os tempos obedecem a uma estrutura ocidental, completamente diferente da música tradicional, da música da terra".

Para Genitho Rasta, o gosto pela música tradicional começou há poucos anos e quase por acaso. "O primeiro instrumento tradicional que comprei foi a um indivíduo que os vendia para decoração. Comecei a tocar sozinho e com a ajuda de amigos, depois fui fazendo alguma pesquisa e descobrindo os músicos tradicionais. Hoje toco a "mbira", as "timbilas" ou o "bangwe" como quem toca uma guitarra ou um saxofone", conta. Reacções? "O público, mesmo em Portugal, conhece e aprecia. Em Moçambique, culturalmente a música é bem aceite, ainda que comercialmente seja difícil abrir espaço e conseguir apoios", esclarece

Publicado originalmente na revista “Moçambique”, em 2002.
Reproduzido neste blog com a devida vénia.


SEMANA DA GUINÉ-BISSAU - 11 A 17 DE AGOSTO


2º Fª - 11
18h 30m - Abertura da exposição de pintura de Maio Coopé e João Carlos Barros
19h - Demonstração de tecelagem tradicional guineense (em colaboração com a associação AFAIJE - Filhos e Amigos da Ilha de Jeta)

4ª Fª - 13
18h 30m - Palestra: "Expectativa de Desenvolvimento da Guiné-Bissau enquanto país independente", pelo Prof. Dr. Celestino Macedo
5ª Fª - 14
18h 30m - Apresentação do livro "Fogo Fácil", de Marinho de Pina, seguido de encontro com o autor.
20h - 23h - Jantar tradicional guineense
22h - Concerto com Maio Coopé e amigos

6ª Fª - 15
20h - 23h - Jantar Tradicional guineense
22h - Concerto com Maio Coopé e amigos

Sábado, 16
20h - 23h - Jantar Tradicional guineense
22h - Espectáculo de dança tradicional pelo Ballet Mambôf (em colaboração com a AFAIJE)

Exposição de Pintura: João Carlos Barros e Maio Coopé


JOÃO CARLOS BARROS



Nasceu em Bissorã, na Guiné-Bissau a 24 de Março de 1959.
Desde miúdo revelou aptidão para desenhar e pintar, o que o levou, de forma autodidacta, a aperfeiçoar-se nas técnicas do desenho e da pintura.Em 1982 veio estudar para Portugal, tendo-se licenciado em arquitectura. Desde então em Portugal tem trabalhado como arquitecto e como professor de Educação Visual, no ensino básico e secundário.Desde muito cedo revelou um irreprimível vontade de desenhar e pintar que o levou a dedicar-se em 2000 à pintura de forma mais regular e profissional. Tem como principais referências Picasso e Malangatana.Do seu curriculum constam a elaboração de capas de discos para músicos guineenses. É também autor de cartazes para eventos culturais e do logótipo da Guineaspora. Realizou algumas exposições individuais e participou em várias colectivas.
Exposições indiciduais:
2004 - As minhas raíses”, Centro de Artes e Ofícios (CAO’S) organizada pela Associação de Pintores dos Concelhos de Loures e Odivelas (Quadrante);
2003 - Memórias d’África, Junta de Freguesia da Ramada, odivelas.
Exposições colectivas:
2005 - exposição colectiva realizada no espaço Santiago Alquimista para “Musidanças”;
2004: exposição colectiva “Comemorações do Dia de África, realizada na Escola EB. 2, 3 João Villaret, Loures; exposição colectiva realizada no Instituto Português da Juventude no Parque das Nações;
2003: exposição colectiva de Pintores Guineenses da Diáspora, realizada na Universidade Lusíada.

MAIO COOPÉ


Mário da Silva é um artista polifacetado, cujo talento se tem revelado tanto nas artes plásticas como na dança ou mesmo no cinema. É no entanto na música que Maio Coopé (nome artístico que adoptou e cuja origem, exemplo do afiado sentido de humor guineense, se prende com o facto de ter estado muito ligado durante anos á comunidade de cooperantes europeus em Bissau) é mais conhecido, tanto na Guiné-Bissau como internacionalmenteA verdade, no entanto, é que a qualidade e originalidade do seu traço pictórico nada ficam a dever á forte expressão artística e identitária da sua música, á empatia que os seus concertos despertam no público e nos seus colegas de palco.Segundo ele mesmo diz, pinta "desde sempre". É um autodidacta, mas na juventude, aprendeu muito com o mestre Carlos Barros, o popular Carbar, pintor guineense de prestígio e hoje também principal animador da Associação dos Amigos de Bissau Bedjo, que vem lutando há anos pela requalificação do belo núcleo histórico da cidade). Frequentou também várias oficinas de pintura no Centro Cultural Francês de Bissau, na década de 80. Durante anos, trabalhou também como desenhador técnico em ateliers de arquitectura. Em Bissau, hoje. algumas das suas criações ainda podem ser vistas, como as saborosas e expressivas imagens que decoram o mais autêntico lugar de encontro de músicos e boémios da cidade, o popular Mansa Flema (título, também, de uma das mais conhecidas canções de Maio Coopé)Utiliza principalmente as técnicas de Desenho e Pintura e também (uma sua faceta ainda menos conhecida!), a da escultura em barro. Expôs várias vezes os seus trabalhos na Guiné, em Portugal (onde reside há mais de dez anos), e também no Mali, no Senegal e no Burkina Faso.